Quando comecei a acessar a internet de forma constante, por volta de 1995, o espaço virtual no Brasil era mato. Não existia Google. Como se descobria um site? Por meio de publicações físicas ou recomendações de terceiros. Imagine isso. Tudo era realmente um deserto.
Ainda naquele ano, apareceu um “buscador” brasileiro chamado Cadê? (o falecido cade.com.br), que era mais ou menos o Google da época, só que completamente diferente. Faz sentido? Hehe, imagino que não.

O Cadê? tinha um tráfego alto, e boa parte da internet brasileira, que ainda engatinhava, concentrava-se nele para encontrar o que procurava. Diferentemente dos crawlers modernos e ativos, o Cadê? era um site no qual você cadastrava sua página, que ficava lá no catálogo e era conferida de tempos em tempos para saber se ainda estava no ar. Precário, mas era assim.
Antes disso, meu primeiro contato com a internet foi observando meu tio Dirceu, o nerd mais velho que conheci, acessando redes via Telnet. Isso foi no começo dos anos 90. Não me lembro de quais eram aquelas BBS, mas me lembro dele também no IRC. Inclusive, foi ele quem me ensinou sobre IRC em meados dos anos 90. Lembro que a rede era a EFnet e que, posteriormente, ele migrou para a BrasIRC.
Tínhamos também o BOL, serviço brasileiro de internet muito popular nos anos 90 e queridinho de quem queria ter um e-mail. Quem era mais sabido já ia de America Online ou Yahoo! A internet dos anos 90 era curiosamente pessoal. Se você quisesse alguma coisa, teria que criar e customizar. Bem diferente da internet moderna, industrializada e despersonalizada.

Então, em 1998, fiz meu primeiro acesso ao IRC. Eu estava no meu pequeno quarto, repleto de pôsteres de bandas e adesivos por todos os lados. Um amigo chamado Dionísio me ajudou. Foi quando ele me fez a pergunta que me definiria por boa parte da vida. Mentira:
“Qual nick você quer?”
Eu? Um nick? Um alter ego estava prestes a nascer. Uma lenda que, posteriormente, mudaria de nome, hehe.
Não soube o que responder. Corri os olhos rapidamente pelo quarto e parei em um adesivo colado na janela. Nele estava escrito “Wagon”, uma marca de roupas dos anos 90. Olhei para Dionísio e pronunciei aquela palavra que só Deus sabia o que queria dizer. Dionísio olhou para mim e, sem dizer nada, digitou “Wagon”.
Foi assim que nasceu meu primeiro nick, que também passei a usar no ICQ poucos meses depois de começar a acessar o IRC.
No IRC, a sala mais movimentada da BrasIRC era a #brasil. Eu ficava maravilhado vendo tantas pessoas interagindo de forma tão dinâmica. Não demoraria muito até eu começar a escorregar pelo #debian e pelo #slackware, mas essa história fica para a próxima.
No ICQ, tínhamos a possibilidade de procurar pessoas por região, cidade e por aí vai.
Você basicamente saía adicionando todo mundo e foda-se. E isso era legal. A internet funcionava com modems de 14.400 bps e, se você estivesse em uma condição financeira melhor, já podia desfrutar da altíssima velocidade de 56 Kbps, no padrão V.90.
E isso tudo era foda demais. Esperar até depois da meia-noite para se conectar e passar a noite inteira baixando uma ou, se tivesse sorte, duas músicas, conectado ao provedor do BOL ou a algum provedor regional.
Só não podiam tirar o telefone do gancho enquanto você estivesse conectado.
O que eu queria dizer neste artigo, que acabou virando uma história, vou deixar para o próximo.
Vlw.